Reduzir glosas é um dos maiores desafios enfrentados por clínicas, hospitais e serviços de diagnóstico no Brasil. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, aumento dos custos operacionais e maior rigor das operadoras de saúde, cada glosa representa não apenas uma perda financeira, mas também retrabalho, desgaste da equipe e atraso no fluxo de caixa.
Diante desse contexto, muitos gestores se deparam com uma dúvida estratégica: vale mais a pena investir em tecnologia para reduzir glosas ou reforçar a equipe de faturamento? A resposta não é simples e passa por uma análise cuidadosa do modelo de operação, do volume de atendimentos e do nível de maturidade dos processos internos.
O impacto das glosas no resultado financeiro
As glosas ocorrem quando um procedimento realizado não é pago, total ou parcialmente, pelas operadoras de saúde. Os motivos são variados: erros de cadastro, falhas na elegibilidade do paciente, divergências contratuais, ausência de autorizações, codificação incorreta ou documentação incompleta.
O problema é que, na prática, glosas não afetam apenas o faturamento. Elas consomem tempo da equipe, exigem reanálises, recursos administrativos e, muitas vezes, acabam não sendo recuperadas. Isso gera impacto direto no caixa e compromete a previsibilidade financeira da instituição.
Por isso, reduzir glosas deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser uma estratégia essencial de sustentabilidade para os serviços de saúde.
Reforçar a equipe de faturamento: vantagens e limitações
Historicamente, a primeira reação das instituições diante do aumento de glosas é ampliar ou reforçar a equipe de faturamento. A lógica é simples: mais pessoas analisando contas, conferindo guias e recorrendo de glosas aumentaria as chances de recuperação dos valores.
De fato, uma equipe bem treinada, experiente e atualizada sobre regras de convênios é fundamental. Profissionais capacitados conseguem identificar erros, corrigir inconsistências e negociar com operadoras de forma mais assertiva.
No entanto, esse modelo tem limitações claras. O faturamento manual é altamente dependente de pessoas, o que aumenta o risco de falhas humanas, inconsistência de processos e variação de desempenho. Além disso, ampliar equipes eleva custos fixos, como salários, encargos e treinamentos, sem garantir que o índice de glosas vá cair de forma proporcional.
Em operações com grande volume de exames ou procedimentos, confiar apenas no aumento de pessoal pode significar apenas “enxugar gelo”, tratando o problema depois que ele já ocorreu.
O papel da tecnologia na estratégia para reduzir glosas
É nesse ponto que a tecnologia ganha protagonismo. Sistemas inteligentes de gestão, auditoria e faturamento atuam de forma preventiva, identificando falhas antes mesmo do envio das contas para as operadoras.
Ferramentas de tecnologia permitem validar automaticamente dados cadastrais, verificar elegibilidade em tempo real, cruzar informações contratuais, aplicar regras de convênios e alertar inconsistências de codificação. Tudo isso reduz drasticamente a chance de erros que geram glosas.
Além disso, soluções baseadas em dados e inteligência artificial conseguem analisar históricos, identificar padrões de glosas e apontar onde estão os maiores gargalos do processo. Isso transforma o faturamento em uma área estratégica, orientada por indicadores e não apenas por correções manuais.
Investir em tecnologia para reduzir glosas também traz ganhos indiretos importantes, como maior agilidade no envio de contas, redução do retrabalho e melhor aproveitamento do tempo da equipe.
Tecnologia substitui pessoas? Não exatamente
Um ponto importante é entender que tecnologia não elimina a necessidade de profissionais de faturamento. Pelo contrário: ela muda o papel da equipe.
Com sistemas automatizados assumindo tarefas repetitivas e operacionais, os profissionais passam a atuar de forma mais analítica e estratégica. Em vez de apenas corrigir erros, a equipe consegue atuar na prevenção, na negociação com operadoras e na melhoria contínua dos processos internos.
Na prática, a tecnologia potencializa a performance da equipe existente. Isso significa que, muitas vezes, não é necessário aumentar o número de colaboradores, mas sim oferecer ferramentas melhores para que eles trabalhem com mais eficiência e segurança.
Qual estratégia traz mais retorno financeiro?
Do ponto de vista de custo-benefício, a tecnologia tende a oferecer um retorno mais previsível no médio e longo prazo. Enquanto o reforço de equipe aumenta custos fixos imediatamente, sistemas bem implementados ajudam a reduzir glosas de forma consistente, melhorando o fluxo de caixa e a previsibilidade financeira.
Além disso, soluções tecnológicas são escaláveis. À medida que o volume de atendimentos cresce, o sistema acompanha essa evolução sem a necessidade proporcional de novas contratações. Isso é especialmente relevante para clínicas e centros de diagnóstico em expansão.
Por outro lado, investir em tecnologia sem uma equipe minimamente estruturada e capacitada também não resolve o problema. Processos mal definidos, falta de governança e ausência de acompanhamento de indicadores podem comprometer os resultados, mesmo com as melhores ferramentas.
Reduzir glosas: o caminho mais eficiente para equilíbrio e estratégia
A decisão entre investir em tecnologia ou reforçar a equipe de faturamento não deve ser encarada como uma escolha excludente. O caminho mais eficiente para reduzir glosas passa pelo equilíbrio entre pessoas, processos e tecnologia.
Em muitos casos, a melhor estratégia é investir primeiro na organização dos processos e na capacitação da equipe, ao mesmo tempo em que se implementam soluções tecnológicas que automatizem etapas críticas do faturamento. Esse modelo cria uma base sólida para crescimento sustentável.
A tecnologia atua prevenindo erros, enquanto a equipe atua analisando exceções, negociando e tomando decisões estratégicas. Juntas, essas frentes reduzem perdas financeiras, aumentam a eficiência operacional e fortalecem a relação com as operadoras de saúde.
Considerações finais
Reduzir glosas é um desafio complexo, que não se resolve apenas com mais pessoas nem apenas com sistemas. Reforçar a equipe de faturamento pode trazer resultados pontuais, mas tende a aumentar custos e manter uma atuação reativa. Já investir em tecnologia permite atuar de forma preventiva, estruturada e escalável.
Para gestores de saúde, a pergunta não deveria ser “tecnologia ou equipe?”, mas sim como combinar tecnologia e pessoas de forma inteligente para reduzir glosas de maneira sustentável. Instituições que entendem isso conseguem transformar o faturamento em um diferencial competitivo, garantindo maior previsibilidade financeira e segurança para crescer.
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